quinta-feira, 16 de junho de 2016

Bancos já veem rombo superior a R$ 100 bilhões no governo em 2017

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FONTE DE INFORMAÇÃO .

G1 globo.com 




16/06/2016 10h05 - Atualizado em 16/06/2016 10h17

Bancos já veem rombo superior a R$ 100 bilhões no governo em 2017

Para este ano, estimativa é de um déficit primário de R$ 134 bilhões.
Pesquisa foi feita pelo Ministério da Fazenda com instituições financeiras.

Alexandro MartelloDo G1, em Brasília
As contas do governo federal deverão registrar um déficit primário (despesas maiores do que receitas, sem contar o pagamento de juros) de R$ 134,17 bilhões neste ano e de R$ 104,84 bilhões em 2017, segundo estimativa de instituições financeiras consultadas pelo Ministério da Fazenda em maio. O levantamento foi divulgado nesta quinta-feira (16) pelo governo federal.
A informação consta no "Prisma Fiscal" – sistema de coleta de expectativas de mercado financeiro para acompanhamento das principais variáveis fiscais brasileiras –, que é feito pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda.
Segundo o governo, houve deterioração da expectativa dos bancos para o rombo nas contas do governo em 2016 e em 2017, visto que, no mês anterior, a previsão das instituições financeiras era de um déficit primário de R$ 104 bilhões para este ano e de R$ 92,08 bilhões para 2017.
Se esse cenário se concretizar, serão quatro anos consecutivos com as contas públicas no vermelho. O governo vem registrando déficit desde 2014. Em 2015, o rombo, de R$ 114,9 bilhões, foi recorde e gerado, em parte, pelo pagamento das chamadas "pedaladas fiscais" - repasses a bancos oficiais que estavam atrasados.
Para este ano, o governo já conseguiu autorização do Congresso Nacional para um rombo em suas contas de até R$ 170,5 bilhões – o que, se confirmado, será o pior resultado da série histórica, que tem início em 1997. Após conseguir o aval do Legislativo, reverteu os cortes no orçamento que tinham sido feitos anteriormente liberando recursos para gastos.
Reequilíbrio das contas públicas
Para a retomada da confiança na economia brasileira, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tem dito que é importante reequilibrar as contas públicas - que passam atualmente por forte deterioração. Nesta quarta-feira (15), ele anunciou que está enviando ao Congresso Nacional uma proposta de emenda constitucional que institui um teto para os gastos públicos por um período de 20 anos.
A proposta é que a despesa não possa ter crescimento acima da inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a partir de 2017 – envolvendo a União, o Legislativo, o Tribunal de Contas da União, o Judiciário, o Ministério Público, e a Defensoria Pública da União. Para ter validade, porém, a proposta ainda tem de passar pelo crivo do Legislativo.
Com a percepção de que o Brasil terá uma capacidade melhor de honrar seus compromissos, a expectativa da equipe econômica é que ocorra um aumento da confiança dos empresários e da população em geral na economia, e que isso estimule a demanda por produtos, serviços e estimule novos investimentos e geração de empregos - contribuindo assim para a retomada de um ciclo de crescimento da economia brasileira.
Nesta quarta-feira, o ministro da Fazenda afirmou também que ainda não há previsão de aumentos de tributos, mas não descartou essa possibilidade.
"Vamos continuar com meta primária, porque é importante manter o esforço arrecadador (...) seja através de cobranças efetivas, seja de dívida ativa [valores devidos ao governo], eficácia de tributação, vendas de ativos [concessões ou privatizações], diversos outros tipos de geração de receitas, dando oportunidade no futuro de o Congresso Nacional contemplar aumentos de impostos", afirmou ele, ao anunciar o projeto de teto para gastos públicos.
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