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15/05/2017 07:54 horas .
Fonte de informação
G1 globo.com
Começa plebiscito simbólico contra Maduro na Venezuela
Iniciativa da oposição não tem o reconhecimento do Poder Eleitoral. Para opositores, iniciativa mostrará que maioria se opõe à realização de assembleia constituinte.
Por G1
A oposição venezuelana realiza neste domingo (16) um plebiscito simbólico contra o projeto para reformar a Constituição, proposto pelo presidenteNicolás Maduro. A consulta foi validada pelo Parlamento da Venezuela, mas não conta com o reconhecimento do Poder Eleitoral. O plebiscito foi classificado de ilegal pela presidência.
A oposição espera que o comparecimento seja maciço para exigir que Maduro convoque eleições presidenciais antes do fim de seu mandato. Para os opositores, a consulta, que não tem caráter vinculante, "mostrará ao mundo" que a maioria se opõe à iniciativa de Maduro de convocar uma assembleia constituinte, que poderá reescrever a Constituição e dissolver as instituições do Estado. A eleição para os 545 membros desta assembleia está marcada para 30 de julho.
Os eleitores responderão a três perguntas: se rejeitam a assembleia constitucional, se eles querem que as forças armadas defendam a constituição existente e se querem a realização de eleições antes do mandato de Maduro, segundo a Reuters.
As cerca de 2 mil urnas se abriram às 7h (horário local). Com zonas eleitorais improvisadas em mais de 80 países, os expatriados Venezuelanos devem comparecer em peso para a votação.
Em entrevista coletiva neste sábado (15), o deputado Juan Andrés Mejía confirmou que as atas de votação serão destruídas para resguardar a identidade dos participantes e evitar represálias do governo, segundo a France Presse.
Analistas calcularam que o comparecimento estaria em torno de 10 milhões de pessoas, segundo a Reuters. Nas últimas eleições, as parlamentares de 2015, 7,7 milhões de pessoas votaram na oposição e permitiram que ela rompesse a supremacia chavista no Congresso.
"Espera-se 62% de participação para o domingo. Podemos chegar a 11 milhões de pessoas", afirmou o líder opositor Henrique Capriles, citando números do Datanálisis. Segundo o instituto de pesquisa Datanálisis, 70% dos venezuelanos rejeitam a Constituinte.
Maduro considera o plebiscito ilegal e defende que apenas o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) pode realizar processos desse tipo. Em paralelo, o CNE fará neste domingo uma simulação da votação da Constituinte.
'Paz é o que eu peço'
Baixando o tom em relação aos últimos dias, Maduro pediu que os dois eventos aconteçam "pacificamente, com respeito às ideias do outro, sem qualquer incidente". "Paz é o que eu peço", insistiu, durante um ato transmitido em emissora de rádio e televisão.
Considerou, porém, que a chegada de "mais de 500 veículos (internacionais) à Venezuela" para cobrir o plebiscito faz parte de um "show midiático" para justificar uma intervenção estrangeira contra ele e derrubá-lo.
No sábado, cinco ex-presidentes da região chegaram para participar, junto com especialistas eleitorais de vários países, como observadores do processo organizado pela oposição. São eles: o colombiano Andrés Pastrana, o boliviano Jorge Quiroga, o mexicano Vicente Fox e os costa-riquenhos Miguel Ángel Rodríguez e Laura Chinchilla.
Na sexta-feira (14), o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu ao governo e à oposição que dialoguem para erradicar a violência e acertar um "caminho constitucional".
Já o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, convidou os venezuelanos a participar da "consulta popular para deter o colapso definitivo da institucionalidade do país".
Crise na Venezuela
Maduro se diz vítima de uma tentativa de golpe de Estado apoiado por Washington e de uma guerra econômica que leva à escassez de bens básicos e a uma voraz inflação. Ele enfrenta uma onda de protestos desde 1º de abril, que já deixou 95 mortos, segundo a France Presse.
Os principais dirigentes da oposição afirmam que, após o plebiscito, vai-se ativar a "hora zero", ou seja, a fase decisiva dos protestos para tirar Maduro do poder. Não descartam convocar uma greve geral.
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