Quando disse que a Câmara "não deve dizer sempre amém ao Ministério da Fazenda", estimulando assim a mudança no projeto de renegociação da dívida dos estados, o deputado Rodrigo Maia viu à sua frente dois eleitorados: o primeiro, os deputados que vão escolher o presidente da Casa, cargo para o qual ele é candidato; e, em segundo, o eleitorado do Rio de Janeiro, estado pelo qual ele é eleito, que não tem recursos para pagar a folha de servidores públicos nem o décimo terceiro salário e será o primeiro beneficiário desta renegociação.
Nesta terça-feira, véspera do recesso parlamentar, Maia recebeu sinais importantes para sua candidatura à presidência da Câmara: a primeira, foi o parecer do deputado Rubens Junior (PC do B- MA) atestando que não há impedimento para sua candidatura - já que ele cumpre agora mandato-tampão e iria disputar um mandato completo.
No começo da noite, o sinal veio do Supremo Tribunal Federal, que foi instado pelo partido Solidariedade a dizer se Rodrigo Maia poderá ou não ser candidato. O relator do caso, ministro Celso de Melo, deu a primeira indicação de que o STF não pretende interferir antecipadamente na disputa pela presidência da Câmara. Celso de Melo poderia ter decidido por liminar, mas preferiu anunciar que levará o assunto diretamente ao Pleno.
Assim, quando o STF se pronunciar sobre o assunto, a Câmara já terá escolhido o seu presidente. Se Rodrigo Maia for candidato e eleito, o STF poderá tanto mantê-lo no cargo ou não. Fica, portanto, o questionamento que Rodrigo Maia tenta evitar com pareceres de juizes renomados, como Carlos Ayres Brito e Heleno Torres, atestando que o fato de cumprir um mandato tampão não deve ser empecilho para um mandato completo de dois anos.
Neste último dia de funcionamento da Câmara, Rodrigo Maia era apontado como candidato mais forte à presidência. Tal como na eleição passada, ele está construindo sua candidatura pela esquerda, buscando apoios do PC do B e do PT. Seu principal adversário deverá o candidato a ser apresentado pelo Centrão, grupo que reúne partidos mais conservadores na Casa. Apesar do apoio que Maia deu nesta terça-feira à mudança no projeto de renegociação de dívida dos estados, ele continua sendo um candidato que agrada ao Palácio do Planalto, embora o presidente Temer prefira não se envolver diretamente na disputa para não desagradar aliados.
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