segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Estados Unidos, Reino Unido e França acusam Rússia de 'barbárie' na Síria

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Deutsche Welle
25/09/2016 18h09 - Atualizado em 25/09/2016 18h17

Estados Unidos, Reino Unido e França acusam Rússia de 'barbárie' na Síria

Países se reuniram neste domingo (25) na ONU para discutir questão síria.
Uma das principais cidades sírias, Aleppo tem sofrido com ataques.

Da Deutsche Welle
Representante do Reino Unido discursa em reunião na ONU em Nova York neste domingo (25) (Foto: Manuel Elias / United Nations / AFP)Representante do Reino Unido discursa em reunião na ONU em Nova York neste domingo (25) (Foto: Manuel Elias / United Nations / AFP)
No Conselho de Segurança da ONU, diplomatas dos EUA, da França e do Reino Unido criticam participação de Moscou no conflito sírio. "Em vez de buscar a paz, Rússia e Assad fazem guerra", diz embaixadora americana.
Os Estados Unidos, a França e o Reino Unido acusaram a Rússia neste domingo (25) de piorar a carnificina na Síria, enquanto aviões russos e do regime bombardeiam Aleppo. Uma solução diplomática pareceu bastante improvável na reunião do Conselho de Segurança da ONUconvocada para discutir a violência, que se intensificou desde o colapso de um cessar-fogo na semana passada.
"O que a Rússia está patrocinando e fazendo não é contraterrorismo, é barbárie", disse Samantha Power, embaixadora dos EUA na ONU. "Em vez de buscar a paz, Rússia e Assad fazem guerra. Em vez de fazer com que ajuda essencial chegue aos civis, Rússia e Assad estão bombardeado comboios [humanitários], hospitais e socorristas que tentam desesperadamente manter as pessoas vivas."
Os ministros do Exterior francês e britânico acusaram a Rússia de crimes de guerra. "É difícil negar que a Rússia esteja numa parceria com o regime sírio para cometer crimes de guerra", disse Matthew Rycroft, embaixador britânico.
Moscou se defendeu. "Na Síria, centenas de grupos armados estão sendo armados, o território do país está sendo bombardeado indiscriminadamente e conseguir a paz é uma tarefa quase impossível agora por causa disso", disse Vitaly Churkin, embaixador russo na ONU. Segundo ele, a Frente al Nusra é a principal força que se encontra no leste de Aleppo, controlado pelos rebeldes, e "os civis são um escudo humano para eles".
Em protesto aos ataques em Aleppo, os diplomatas dos EUA, da França e do Reino Unidodeixaram a câmara do Conselho de Segurança quando o embaixador sírio se manifestou.
Sírios inspecionam edifícios destruídos após ataques aéreos em Aleppo (Foto: Syrian Civil Defense White Helmets via AP)Sírios inspecionam edifícios destruídos após ataques aéreos em Aleppo (Foto: Syrian Civil Defense White Helmets via AP)
Ofensiva "sem precedentes"
Capturar a área controlada pelos rebeldes em Aleppo, onde mais de 250 mil civis estão sitiados, seria a maior vitória das forças de Assad na guerra civil. Com o apoio da Rússia e do Irã, o regime sírio lançou uma nova ofensiva contra os opositores na última quinta-feira.
Os Estados Unidos denunciaram no Conselho de Segurança da ONU que aviões militares russos e sírios lançaram pelo menos 158 ataques aéreos contra o leste de Aleppo nas últimas 72 horas, numa ofensiva "sem precedentes".
Para Power, a ofensiva demonstra "que o regime de Assad só acredita numa solução militar e que para ele não importa o que vai restar da Síria após essa solução militar".
Power acusou Moscou de estar "abusando de seu privilégio" de direito a veto no Conselho de Segurança da ONU para não permitir ações mais firmes contra o regime de Assad pelo massacre que este está realizando na Síria.
Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, desde a última quinta-feira, quando o Exército sírio anunciou o início da operação no leste de Aleppo, ao menos 124 pessoas, a maioria civis, foram mortas em bombardeios sírios e russos.
Antes da reunião do Conselho de Segurança da ONU neste domingo, o secretário-geral da entidade, Ban Ki-moon, condenou o que chamou de "o mais contínuo e intenso bombardeio desde o início do conflito na Síria [em 2011]".
Ban pediu que as potências mundiais "trabalhem mais duro para pôr fim ao pesadelo" na Síria. Em cinco anos, a guerra civil já deixou mais de 300 mil mortos e milhões de deslocados.

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